
MPT participa de atividade educativa sobre combate ao trabalho escravo em escolas da rede estadual do Piauí
O Ministério Público do Trabalho no Piauí participou, nesta quinta-feira, dia 26, de ações educativas em escolas da rede pública do estado sobre o trabalho escravo. A atividade integra o projeto “Trabalho Escravo Nem Pensar”, iniciativa da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), que visa sensibilizar a comunidade escolar sobre a realidade do trabalho escravo contemporâneo no Brasil. As palestras foram dadas no Centro Estadual de Tempo Integral (CETI) Professora Auristela Soares Lima, localizado no bairro Porto Alegre, zona sul de Teresina, e no Ceti Paulo Machado, no Vale do Gavião, zona leste da capital.
Durante as visitas, o procurador do Trabalho Edno Moura conduziu uma palestra com estudantes do ensino médio, com idades entre 15 e 18 anos, promovendo um momento de reflexão sobre o tema. O objetivo foi mostrar que o trabalho escravo ainda é uma realidade presente no país, inclusive no estado do Piauí, e que vai além da concepção histórica comumente difundida.
O procurador fez uma contextualização do trabalho escravo, trazendo fatos históricos e as características que configuravam trabalho escravo. “Muitas pessoas têm a concepção de trabalho escravo que tínhamos no passado: pessoas acorrentadas, sem receber pagamentos e privadas de liberdade. Isso mudou. O trabalho escravo contemporâneo é caracterizado pelo trabalho forçado, por servidão por dívida, por jornada exaustiva e por condições degradantes de trabalho”, elencou.
Durante a apresentação, também foram compartilhados dados atualizados sobre o perfil das vítimas resgatadas em ações de combate ao trabalho escravo: 98% são homens, 95% são pretos, 45% são analfabetos e 89% têm baixa escolaridade, sendo que 44% estudaram até, no máximo, a 4ª série. A maioria tem entre 18 e 44 anos de idade, faixa etária que representa uma parte significativa da população economicamente ativa do país.
O procurador afirma que na maioria das situações, os trabalhadores estão em correntes invisíveis. “Eles não têm noção de que são vítimas do trabalho escravo, existe a invisibilidade social do trabalho escravo e um consentimento aparente da vítima por não acreditar ter outras possibilidades”, avalia.
A coordenadora pedagógica do Ceti Professora Auristela Soares Lima, Elizama Pessoa, explicou que a atividade marca o início de um conjunto de ações pedagógicas que serão desenvolvidas ao longo do ano com os alunos. “Recebemos todo o material didático da SEDUC, como filmes e reportagens. Nosso objetivo é promover uma conscientização crítica dos estudantes sobre a persistência do trabalho escravo e suas formas atuais, especialmente no nosso estado, onde ainda são registradas diversas denúncias”, afirmou.
Em 2025, até o momento, nenhum trabalhador foi resgatado em situação análoga à de escravidão no estado do Piauí. Entretanto, 30 piauienses foram encontrados em condições degradantes durante uma ação de fiscalização realizada no interior da Bahia, na cadeia produtiva da carnaúba. O empregador responsável, também natural do Piauí, foi identificado.
O procurador destacou que, levar a temática às escolas é uma forma também de conscientizar sobre outra regularidade que é muito comum, principalmente entre os jovens oriundos de escola pública: o trabalho infantil. “Infelizmente, o trabalho infantil é uma mazela que está presente na sociedade e acaba sendo naturalizada. O lugar da criança é na escola, estudando e fazendo outras atividades culturais, esportivas e de socialização. O mercado de trabalho é hostil, sobretudo com as crianças, que ficam sem perspectivas de um futuro digno e acabam se submetendo a condições degradantes de trabalho e perpetuando um ciclo de desigualdades”, finalizou.
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